14 de setembro de 2008

decoradores

Nunca liguei à profissão de decorador. Aliás, sendo faupista e filho de faupistas, sempre os desprezei como maricas frívolos que pintam tudo com cores tipo TVI, ou tias platinadas vestidas de estampados de leopardo a comprar antiguidades em Cascais. Não duvido que muitos correspondam ao estereótipo. Depois de quase três anos a trabalhar em arquitectura residencial e ter de lidar com os mais variados tipos, a minha opinião primária e pouco fundamentada mantinha-se; até há pouco.
Especialmente quando começámos a mobilar o apartamento de 30 m2 e nos deparámos com todos os problemas possíveis: o chão a cair para o meio, a ausência de qualquer espaço útil na cozinha, os aquecedores em frente às janelas erradas, as tomadas em cima da banca da loiça, e principalmente a falta de espaço de arrumação, que é a grande dor de cabeça - nada cabe em lado nenhum, e se se puxa de um lado descobre-se o outro. É um grande puzzle, que além disso tem que ter em conta o nosso orçamento, tão magro quanto nós (e somos uns belos trinca espinhas).
Não admira que haja quem faça disto profissão, tão respeitável como qualquer outra. Tanto que até vou assinar a World of Interiors, e não nenhuma revista de arquitectura.

E uma sugestão para os nova iorquinos que chegam - vão à housing works, que tem mobília e tralha vária, vintage e muitas vezes mais barata que os suecos em Brooklyn, além de ser por uma boa causa, o que ao conforto da carteira junta o conforto de um sono tranquilo. As nossas cadeiras de jantar, a 25 dólares cada, são uma maravilha da tecnologia dos anos 50, em madeira maciça, desdobráveis e estofadas a napa cor de laranja. Fotos virão, quando a coisa estiver pronta.

1 comentário:

Anónimo disse...

Nos aqui na terra, também queríamos fazer um bando de teatro, mas os políticos de quarta classe, ao lugar de comprar does projectores e um pouco de pano para os começos da nossa Companhia, Artistas Associados a Terra, não é que o homem compro uma nova televisão com um bruto de ecrã mesmo fininho, cobre toda a parede branca do fundo da associação para beber um copo e jogar os matraquilhos, é como disse ele o presidente da junta da aldeia, num cagaçal de aplausos dos bandeiritas as cores nacionais, não íamos perder de ver este campeonato, a bola faz parte da nossa cultura… parecia mesmo um de aqueles actor num filme americano que vemos lá, ao domingo quanto jogamos as cartas, com dinheiro debaixo das mesas, não é só em Lisboa ou mesmo na madeira que tem um Casino. Mas bom, nos queríamos fazer teatros.